Cortejo cultural arrasta baianos e turistas pelas ruas do Pelourinho
08/07/18 as 12:53 am
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Foi só passar o cortejo com baianas e Filhas de Gandhy, pelo Terreiro de Jesus, para baianos e turistas registrarem com selfies, sorrisos e poses o desfile que tinha um simples objetivo: convidar todo mundo para a primeira edição da Feira de Empreendimentos Negros Solidários. Lançado neste sábado (7), com direito a banho de folha para abrir os caminhos, o evento reúne 16 barracas com produtos como assessórios de beleza, bolsas, roupas com temática africana e cosméticos.

Ao avistar o cortejo, uma família mexicana não resistiu à curiosidade e seguiu o percurso até o fim. “É superinteressante! No México não tem isso, porque a população negra é pequena e a tradição dessa cultura não se vê por lá”, elogiou a mestre em História da Arte, Clara Monroy, 36 anos, que estava visitando Salvador com o marido, a filha, os pais e as sobrinhas. As pequenas Paula, 8, e Fátima, 11, aproveitaram para colocar um turbante. “Vi nas baianas e gostei muito”, justificou Paula, com um sorriso tímido.

 

Com funcionamento neste domingo (8), das 10h às 20h, na Praça Pastores da Noite, a feira gratuita tem como objetivo valorizar a produção de empreendedores negros, principalmente os jovens e as mulheres. Vale ressaltar que estas representam 52% dos participantes da feira que “serve como ferramenta de empoderamento das mulheres”, nas palavras de Iraildes Andrade, coordenadora de gênero do Coletivo de Entidades Negras (CEN), idealizadora da feira.

 
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“A gente vive o racismo institucional, então a gente quer dar dignidade aos empreendedores negros, porque esse é nosso povo, essa é a nossa cara. A gente precisa respeitar esses empreendedores que muitas vezes não conseguem mostrar seu trabalho”, destacou Iraildes sobre o evento que contou, ainda, com apresentações do Ilê Aiyê e de Márcia Short e consultoria da estilista Carol Barreto.

(Foto: Roberto Abreu/CORREIO)

Gastronomia, música, teatro e poesia também estavam na programação da feira que homenageou o Dia Internacional das Mulheres Negras Latino-Americanas e Caribenhas, celebrado em julho. Financiada pelo Edital Bahia Década Afrodescendente, da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (Sepromi), a feira segue uma vez por mês até novembro, sempre na primeira quinzena de cada mês.

 

Iraildes Andrade é coordenadora do CEN
Iraildes Andrade é coordenadora do CEN (Foto: Roberto Abreu/CORREIO)
Clara Monroy foi conferir o evento com a família e as pequenas Paula, 8, e Fátima, 11, aproveitaram para colocar um turbante
Clara Monroy foi conferir o evento com a família e as pequenas Paula, 8, e Fátima, 11, aproveitaram para colocar um turbante (Foto: Roberto Abreu/CORREIO)
Iraildes Andrade é coordenadora do CEN
Iraildes Andrade é coordenadora do CEN (Foto: Roberto Abreu/CORREIO)
Clara Monroy foi conferir o evento com a família e as pequenas Paula, 8, e Fátima, 11, aproveitaram para colocar um turbante
Clara Monroy foi conferir o evento com a família e as pequenas Paula, 8, e Fátima, 11, aproveitaram para colocar um turbante (Foto: Roberto Abreu/CORREIO)

Apesar de destacar mais a produção feminina, a feira é dedicada a todos os públicos e convida homens e mulheres a refletirem sobre a causa. “Ter a maioria de mulheres expondo seus trabalhos demonstra que, essas mulheres, mesmo vivendo em um ambiente de machismo, de patriarcado, conseguiram encontrar formas de resistência, de sobrevivência, de mudar a realidade”, destacou o professor de História, mestre em administração e coordenador do CEN, Marcos Rezende, 44.

Os diferentes tipos de violências à mulher, construídos ao longo da História, são fruto “desse capitalismo e desse machismo”, continua Marcos. “Muitas vezes ele faz com que nossa existência seja fruto de uma mulher, que a gente conviva cotidiana com a mulher e não aprenda a respeitar ela. A gente precisa mudar esse quadro. Sou um eterno aprendiz e luto sistematicamente para não cometer erros e reproduzir esses equívocos”, reflete.

A artesã Juciara Leoa, 52, reforça que não existe mais aquela coisa “da mulher ficar o dia todo em casa, cuidando dos afazeres domésticos”. “Nós temos que estar unidas, porque os tempos são outros. E não é só aprender novas profissões e compartilhar o conhecimento com cursos e oficinas. É reconhecer que o artesanato ajuda a mulher em sua autoestima”, garante.

 

Fonte: correio24horas.com.br

 

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