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Marcelo Odebrecht apresenta novas provas contra Lula.
27/09/17 as 12:04 am
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Em novo depoimento à Polícia Federal (PF), prestado nos dias 8 e 21 de agosto em Curitiba, o empresário Marcelo Odebrecht informou que os pagamentos a Luiz Inácio Lula da Silva não se limitaram aos registrados na planilha de propinas para o "italiano" que foram apreendidas pelos agentes. O conteúdo desse novo depoimento foi divulgado pela justiça somente nesta terça, 26. Segundo o delator que ocupava a presidência do grupo Odebrecht, os acertos entre o ex-presidente e o seu pai e dono da empresa, Emílio Odebrecht, chegaram a R$ 300 milhões, mesmo valor citado pelo ex-ministro Antônio Palocci, que está preso e também negocia os termos de uma delação.

Marcelo foi preso em junho de 2015 e fechou o acordo com a procuradoria em janeiro desse ano. Na época, o empresário explicou sobre a planilha administrada por ele e pelo ex-ministro petista.

Além disso, o empresário afirmou que "amigo" ou "amigo de meu pai" eram as palavras usadas para identificar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos documentos, e-mails e internamente entre os envolvidos no Departamento de Operações Estruturadas da construtora. Segundo o empresário, nesse acerto havia um crédito de R$ 15 milhões para o codinome de Lula. Para ele, os R$ 12,4 milhões destinados à compra de um terreno para o Instituto Lula debitada dessa subconta também confirma que Lula era o “Amigo”.

Agora, Marcelo Odebrecht será ouvido pela PF no âmbito das novas acusações referentes às propinas destinadas ao Instituto Lula e pagamentos de palestras via Lils Palestras e Eventos, empresa do ex-presidente. “Reitera que houve outros pagamentos a Lula, acertados por Emílio, que não transitaram pela conta ‘Italiano’ e nem tiveram o envolvimento do colaborador”, diz o apontamento dos procuradores.

O empresário também entregou recibos que indicam doações de R$ 4 milhões ao Instituto Lula, pagos em quatro parcelas de R$ 1 milhão. Os valores foram pagos nos dias 16 de dezembro de 2013, 31 de janeiro de 2014, 5 de março de 2014 e 31 de março de 2014 como indicam as datas. Os documentos foram anexados no inquérito de Lula na Lava Jato na quinta-feira (21). De acordo com o delator, as mensagens eletrônicas só foram entregues em agosto, porque não haviam sido encontradas na época em que assinou seu acordo.

Marcelo Odebrecht explicou ainda que na conta do "Italiano" estava incluso “dois créditos decorrentes de pedidos de contrapartida específica: valores ‘LM’ e BK’ que totalizaram 114 milhões”. No total, os valores dispostos a Palocci na planilha chegam a cerca de R$ 300 milhões. “Mas que fazia parte de uma agenda mais ampla, sem vinculação específica, ou seja, sem contrapartida específica”, disse Odebrecht.

O empresário também aponta que as ações do ex-presidente eram sempre "alinhadas" com Emílio Odebrecht,, com quem tinha encontros regulares. “Qualquer assunto diretamente ou indiretamente relacionado a Lula era alinhado com Emílio, com orientação deste, cuja interlocução com Lula no dia-a-dia era feita em geral por meio de Alexandrino de Alencar”, expõe o empresário. “Qualquer tratativa com Lula, o padrinho era Emílio, mesmo que a tratativa fosse por algum intermediário de Lula.”

E-mails como prova

A justiça considerou como complemento a prova, uma troca de e-mails entre a Odebrecht e representantes de Lula. No primeiro e-mail enviado por Marcelo Odebrecht, em novembro de 2013, foi destinado aos executivos da Odebrecht Alexandrino Alencar e Hilberto Silva, que chefiou o Setor de Operações Estruturadas onde orienta:

"Italiano disse que o Japonês vai lhe procurar para um apoio formal ao Inst. De 4M (não se sabe se todo este ano, ou 2 neste ano e 2 do outro). Vai sair de um saldo que o amigo de meu pai ainda tem comigo de 14 (coordenar com HS no que tange ao Crédito) mas com MP no que tange ao discurso pois será formal".

O delator explica que "Japonês" corresponde ao presidente do instituto Lula, Paulo Okamoto, "inst" é o próprio instituto e "4M" o valor de quatro milhões. Já HS são as iniciais atribuídas a Hilberto Mascarenhas Silva.

“Os valores doados ao Instituto Lula, total de R$ 4 milhões, foram lançados na planilha Italiano como ‘Doação Instituto 2014 4.000′, após o qual remaneceu o saldo de R$ 10 milhões, conforme a última atualização’, informou Marcelo.

Já o conteúdo do segundo e-mail, enviado somente à Hilberto Silva foi: "Só saldo de 15M do amigo acertar com B: 500 + 500 para as próximas semanas". B seria o ex-assessor parlamentar de Palocci, Branislav Kontic, e 500 + 500 seria o total de R$ 1 milhão da planilha, lançado como "Programa B 6 (Dez 2013) 1.000", explicou Marcelo.

"Onda de perseguição", diz defesa

Em nota oficial, o advogado do Lula, Cristiano Zanin Martins criticou que "a tentativa de criminalizar o recebimento de doações legais para o Instituto Lula, retratadas em recibos, parece ser a nova onda da perseguição da Lava Jato contra o ex-presidente Lula", diz a nota.

"Lula não recebeu qualquer doação ilegal da Odebrecht ou de qualquer outra empresa. As doações questionadas não tiveram Lula como beneficiário, mas sim entidade sem fins lucrativos que não se confunde com o ex-presidente", argumenta o advogado.

Fonte: http://atarde.uol.com.br


 

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