Memorial registra os passos da nova santa
13/08/19 as 10:17 am
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Às 10h30 de 30 de maio de 1993, o museólogo Osvaldo Gouveia, 67 anos, dava o passo inicial para participar de um projeto único: integrar o setor, que se tornaria crucial no processo de canonização de Irmã Dulce. Mas naquele domingo de maio, esse detalhe sequer figurava na pauta. O assunto da reunião que teve nesse dia com a superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), Maria Rita Pontes, era a criação de um memorial em homenagem a Irmã Dulce.

No dia anterior, Gouveia havia sonhado com sua mãe, falecida há 11 anos. “No sonho ela estava em um lugar bonito e dizia: ‘Meu filho, esse é o seu caminho’”, narra, emocionado, Gouveia, assessor de memória e cultura da Osid. O setor esteve diretamente associado a todas as etapas que vão culminar na canonização: registros, inclusive dos relatos de cura por intercessão da religiosa, que levaram à identificação dos casos confirmados como milagres.

O museólogo Osvaldo Gouveia coordena o setor de cultura e memória da Osid articulado às ações para a divulgação da trajetória da religiosa
O museólogo Osvaldo Gouveia coordena o setor de cultura e memória da Osid articulado às ações para a divulgação da trajetória da religiosa

Após a conversa, o museólogo saiu convencido a aceitar a missão, mas só até a inauguração do espaço, em agosto de 1993. Estava em um excelente momento profissional, inclusive dedicado ao magistério. Foi ficando e participando de perto das etapas do processo de canonização, aberto em 2000. “O meu sentimento é de emoção e de dever cumprido”, diz.

Aprendizagem

Construir e entender um processo de canonização foi um desafio para os vários setores da Osid. “Era tudo muito novo, pois localmente não tínhamos uma referência”, diz Gouveia.

O memorial tornou-se o centro para reunir as evidências da historicidade e materialidade em torno do imaginário sobre a religiosa. “Irmã Dulce é uma santa contemporânea. O que as pessoas próximas tinham era a intuição de ir guardando registros. Maria Rita, por exemplo, guardou muita coisa. Acho até que por conta da sua formação em jornalismo”, diz.

Mesmo com registros que poderiam ainda ser maiores – Gouveia calcula que a documentação disponível é 20% do potencial que poderia estar registrado –, o memorial é hoje uma estrutura que vai além da característica material.

O departamento registra e cataloga fotografias, objetos, gravações de depoimentos, mas também foi ampliado em outras direções: tem um núcleo voltado para o turismo religioso e outro educativo, que recebe estudantes para conhecer a vida e o legado da religiosa.

Peças da loja de lembrancinha do Memorial de Irmã Dulce
Peças da loja de lembrancinha do Memorial de Irmã Dulce

Articulados ao memorial estão o Santuário da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres e a Capela das Relíquias, onde está o túmulo da nova santa. Recentemente, um aconchegante café foi incorporado à estrutura.

A equipe do memorial também cresceu. Tem agora jornalista, pedagoga, museólogos e monitores. “Hoje fazemos a recepção dos visitantes que desejam conhecer de perto mais sobre Irmã Dulce”, completa Gouveia. Um exemplo: comparando o período de 14 a 21 de maio com o de 6 a 13 de junho o número de visitas no memorial cresceu 220%.

HISTÓRIA LOCAL SERÁ AGORA LEMBRADA EM ÂMBITO MAIS AMPLO

O santuário dedicado à religiosa fica no largo de Roma, Cidade Baixa, ao lado da Osid
O santuário dedicado à religiosa fica no largo de Roma, Cidade Baixa, ao lado da Osid

Baiana,  Irmã Dulce passará de protagonista de uma história local a universal. “A canonização será uma reafirmação da história do catolicismo em terras brasilis. Com estratégias e ações em curso, esta memória tenderá a ser menos local e mais global. Ela agora está inserida num sistema religioso universal”, analisa o doutor em antropologia e professor da Ufba Jocélio Teles dos Santos.   

Este deslocamento, inclusive, mostra a complexidade da memória, inclusive em relação às narrativas. O assessor de cultura e memória da Osid, Osvaldo Gouveia, destaca, por exemplo, o cuidado que se tem no memorial  com os registros que vêm da oralidade. 

“Sobre aquele  episódio em que Irmã Dulce pede uma doação e recebe em troca uma cusparada, temos nove versões com variações”, aponta Gouveia. 

Exemplo

Segundo o frei Jorge Rocha, doutor em teologia e professor da Universidade Católica do Salvador (Ucsal), tornar alguém santo oficialmente é levá-lo a esta esfera mais global de referência. “Outras Dulces estão caminhando por aí; outras a antecederam, mas agora ela se transforma nesta referência para lembrança de que é  olhando para os bons que podemos nos tornar semelhantes a eles”.  

De acordo com ele, o princípio da santidade deve ser algo buscado por  todos os católicos. “Santidade é uma vocação. Não é uma excepcionalidade; alguns serão elevados à honra dos altares para que aquela memória vire uma referência e participação na santidade maior que é a de Deus”, explica frei Jorge Rocha.   

RELATOS ESPECIAIS FESTEJAM UMA DATA QUE FAZ DA BAHIA A TERRA DE ORIGEM DE UMA SANTA

Túmulo de Irmã Dulce

Túmulo de Irmã Dulce

A partir destaça-feira, 13, A TARDE publica, semanalmente, reportagens especiais sobre Irmã Dulce em comemoração à sua canonização marcada para o dia 13 de outubro. Além do jornal, outros canais do Grupo A TARDE receberão conteúdo temático, como o Portal A TARDE e a rádio A TARDE FM

Desta forma, os públicos dos mais variados canais receberão informação integrada, como é tendência em novos tempos de revolução digital. Textos, podcasts, vídeos, dentre outras linguagens, estão sendo produzidos para circulação em diferentes plataformas.   

“Conheci uma santa”

Osvaldo Gouveia, assessor de cultura e memória da Osid, viu irmã de Dulce por duas vezes na condição de estudante do Colégio Antônio Calmon, situado na Baixa de Quintas.

“Mais tarde, estas memórias voltaram de uma forma  vívida”, diz. Quem tem uma história semelhante pode  fazer parte desta memória enviando seu relato e fotos com Irmã Dulce para o e-mail parasempredulce@grupoatarde.com.br.  

Fonte: http://atarde.uol.com.br


 

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